Astronomismos

Resenhas e críticas culturais

Inaugural

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Quando menino meu sonho era ser astrônomo. Astronauta, não é?, dizia minha mãe tentando me adequar. E eu dizia, não, mãe, é astrônomo mesmo. O sonho passou um pouco (ainda olho com curiosidade para o céu de noite) e alguns anos depois me questionei sobre o desejo infantil. O que é mágico, encantado, em ser astrônomo?
Acho que é, sentando do seu quarto, através dos números e da criatividade, criar e responder hipóteses sobre planetas, estrelas e o universo… Tudo tão longe.
Há pouco tempo, tentando ligar as pontas da vida (como Marcel faz no Tempo Redescoberto, ligando SwannGuermantes), me surgiu a questão aliada a estes meus estudos de hoje. Esclarecido o encanto do astrônomo, como relacioná-lo com esta minha atual atividade de crítico cultural (em falta de termo melhor)? E pior, de crítico cultural alinhado a estas idéias de esquerda? A resposta é de um astronomismo crítico.
Minha função, e é esta a linha que pretendo seguir neste blog, é a daquele arqueólogo que encontra jogado, quase já fora do campo de estudos, um pequeno artefato de argila, de cores quase todas sumidas pelo tempo, mas de ilhotas de cor explosivamente vivas, e se surpreende supondo seu objeto tratar-se de um brinquedo, de algumas dezenas de séculos
Cabe a este crítico buscar nestes objetos culturais do presente arranhões que os movimentos históricos causaram; deformações de nascimento que a fôrma da ideologia impôs; enfim, sentado na escrivaninha deste mínimo quarto, propor e responder hipóteses sobre esta coisa tão distante de nós, o mundo, como aquele antigo astrônomo da minha infância.

Escrito por Tomaz Izabel

17 "17UTC" setembro, 2008 em 8:55 pm

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